Estratégias para cuidar da saúde do intestino

Julho 17, 2020by orinam0
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Qual o impacto que o intestino tem na nossa saúde?

Durante muito tempo, o intestino era olhado como um sistema com as funções de absorção de nutrientes e eliminação de toxinas, como um mero processador de alimentos. Estávamos longe de imaginar a sua relação com a saúde mental, doenças autoimunes, artrite doenças cardiovasculares, cancro, obesidade, problemas de pele e até mesmo infertilidade. Mas nos últimos anos ocorreu o despertar para uma nova era na ciência, com importância do papel da microbiota intestinal na saúde e nas doenças, reiterando o que Hipócrates escreveu há 2500 anos: “Todas as doenças começam no intestino”.

Uma nova visão

O intestino é um sistema complexo composto por triliões de microscópicos organismos vivos, uma comunidade de bactérias, vírus e fungos chamada Microbiota. À semelhança do genoma humano, a Microbiota é o património genético dos micro-organismos que vivem dentro do nosso corpo, as camadas de micróbios que revestem as paredes do intestino, responsáveis pela fermentação final dos alimentos e pela extração de nutrientes.

É no intestino que está a base do sistema imunológico, é o intestino que atua na regulação dos níveis de serotonina, o neurotransmissor que define o nosso humor, os níveis de energia e a nossa clareza mental.

A forma como interagimos e processamos os nutrientes dos alimentos, a definição do metabolismo e a interação com os nossos genes, tudo tem a origem no intestino.

Uma questão de números

  • 80% do sistema imunitário é definido pela microbiota intestinal

  • 95% da serotonina é criada e guardada no intestino

A maioria dos problemas de saúde com que lidamos hoje em dia – doenças do trato digestivo, alergias, doenças autoimunes e inflamatórias, ansiedade, insónia – todas elas, de alguma forma, começam a desenvolver-se no intestino, se não totalmente. Podemos tratar destas condições de saúde com todo o tipo medicamentos ou procedimentos médicos, mas não irá existir uma cura se não curarmos primeiro o intestino.

A dieta ocidental, com o consumo de alimentos processados, hidratos de carbono refinados e de açúcar têm um impacto muito negativo na saúde do intestino, causando uma condição chamada disbiose que está na origem de muitas intolerâncias ou sensibilidades alimentares. Mas existem outros fatores que afetam o ecossistema do nosso intestino, como o consumo diário de alimentos e de água contaminados com químicos e o stress, que causa alterações no sistema endócrino afetando as glândulas adrenais, a tiróide e o sistema hormonal feminino.

Com pequenas alterações nos seus hábitos, pode prevenir e atuar no equilíbrio da sua saúde intestinal.

  1. Cuidando e nutrindo uma boa microbiota intestinal, com a eliminação do consumo de alimentos ultra processados e refinados, com o consumo de alimentos biológicos e de água filtrada;

  2. Com o consumo de alimentos ricos em fibra, de alimentos prebióticos e de alimentos probióticos:

      • Alimentos ricos em fibra: cereais integrais como o arroz integral ou a cevada; frutos vermelhos; lentilhas; são apenas alguns exemplos;

      • Prebióticos: o consumo de prebióticos é importante e traz bastantes benefícios como a promoção da saciedade e da perda de peso. Podemos obtê-los em alimentos como a chicória, a alcachofra, o alho-francês, os espargos, o alho ou a cebola;

      • Probióticos: são bactérias vivas que, quando existentes nas quantidades certas, exercem efeitos benéficos no nosso organismo. Vários estudos demonstram a relação benéfica entre os alimentos que contêm bactérias vivas e o risco reduzido de doenças, assim como a prevenção e tratamento da obstipação e a redução dos sintomas relacionados com a intolerância à lactose. Podemos obter probióticos através do consumo de vegetais fermentados, como a chucrute;

  3. E por último, com a adoção de práticas de bem-estar que ajudem a reduzir os níveis de stress, como é o caso da Meditação e do Mindfulness.

Nota: caso sofra de alguma condição inflamatória crónica, existem outras estratégias a implementar, no entanto devem ser vistas caso a caso e sobre a supervisão de um consultor ou outro profissional na área da saúde alimentar.

orinam